Em meio ao pior cenário financeiro de sua história recente, os Correios anunciaram um plano emergencial de reestruturação que pode provocar o fechamento de até 700 agências em todo o país e a demissão de aproximadamente 10 mil funcionários. A informação foi confirmada neste sábado (15), mesmo dia em que a estatal admitiu correr contra o tempo para conseguir um empréstimo de R$ 10 bilhões para evitar um colapso operacional.
Embora o plano ainda não detalhe quais unidades serão encerradas, há preocupação direta sobre o impacto na Região dos Lagos, onde o serviço já enfrenta sobrecargas, demora nas entregas e estrutura limitada em cidades como Iguaba Grande, São Pedro da Aldeia, Arraial do Cabo, Araruama e Cabo Frio.
Possíveis impactos locais
A Região dos Lagos possui uma rede estratégica de agências que atende moradores, comerciantes, órgãos públicos e principalmente o setor do e-commerce — que movimenta milhares de encomendas diariamente.
Com a reestruturação, especialistas avaliam que a região pode enfrentar:
Redução de horários de atendimento
Fechamento de agências de bairro ou distritos
Aumento na demora das entregas, especialmente em áreas afastadas do centro urbano
Maior pressão sobre agências principais, como as de Cabo Frio e Araruama
Prejuízo direto ao comércio local, especialmente pequenos vendedores que dependem dos Correios para envio de produtos
Empresas e autônomos da região já demonstram preocupação: muitos afirmam depender da estatal pela segurança do rastreamento, preço mais baixo em algumas modalidades e cobertura mais ampla em bairros onde transportadoras privadas não chegam.
Crise financeira sem precedentes
A situação dos Correios se agravou rapidamente:
A estatal registrou lucro de R$ 2,2 bilhões em 2021, mas desde 2022 só acumula prejuízos.
Apenas no primeiro semestre de 2025, o rombo chegou a R$ 4,37 bilhões.
O plano inicial de financiamento buscava R$ 20 bilhões, mas nenhum banco demonstrou interesse.
Agora, os Correios tentam levantar R$ 10 bilhões, com garantia do Tesouro Nacional — o que significa que, em caso de calote, a dívida recairá sobre o governo.
O processo foi apresentado ao Tribunal de Contas da União, mas enfrenta resistência: propostas de bancos incluíram juros considerados excessivamente altos, chegando a 136% do CDI.
Por que a Região dos Lagos pode ser afetada?
A estatal avalia fechar agências consideradas “redundantes” ou com baixa rentabilidade. Na Região dos Lagos, algumas unidades menores funcionam com equipe reduzida, baixo fluxo e grande dependência de repasses federais — tornando-se possíveis alvos da reestruturação.
Além disso:
A região possui forte crescimento populacional e fluxo turístico, aumentando a demanda por entrega de encomendas.
Pequenos comerciantes, produtores artesanais e prestadores de serviço são altamente dependentes do sistema de encomendas.
Agências como as de Iguaba Grande, Tamoios, Praia Linda, Nova Cabo Frio e Baixo Grande podem enfrentar novos desafios caso o fluxo migre para unidades maiores.
O que dizem moradores e comerciantes?
Moradores ouvidos pela reportagem afirmam que:
“Se fechar alguma agência aqui, vai virar caos. Já demora, imagina com menos funcionários”, disse um empresário de Cabo Frio.
Em Iguaba Grande, usuários relatam filas constantes e queda na velocidade de entrega nos últimos meses.
A região inteira depende do fluxo logístico vindo da Central do Rio, e qualquer redução estrutural pode causar atrasos que afetam desde entregas domésticas até documentos e encomendas essenciais.
Correios tentam evitar colapso
O plano de reestruturação inclui:
Programa de Demissão Voluntária com meta de corte de 10 mil funcionários
Redução de custos administrativos
Venda ou uso comercial de mais de 2.300 imóveis da estatal
Revisão de contratos e despesas
Foco maior em serviços ao governo e logística de medicamentos
A expectativa é de que a estatal alcance equilíbrio financeiro apenas a partir de 2027.
E a população da Região dos Lagos?
Ainda não há previsão oficial de quais agências serão afetadas, mas a equipe do Região 22 seguirá monitorando o impacto local, especialmente nas cidades onde o serviço já opera no limite.
A crise dos Correios não é apenas um problema nacional: na Região dos Lagos, ela pode significar menos acesso, mais fila e mais demora para milhares de moradores.













